Dia 16 de setembro é o “Dia Internacional de Proteção a Camada de Ozônio”. Nesta data foi realizado um acordo histórico, “O Protocolo de Montreal”, ocorrida a vinte e dois anos atrás, abordou a redução da produção e o uso de gases que causam a destruição da camada de ozônio. Logo após a Segunda Guerra Mundial, os cientistas descobriram um grupo de substâncias químicas que parecia ser o que eles estavam procurando. Estas substâncias eram fáceis de produzir, eram à prova de fogo e não-venenosos (inertes). Estes produtos químicos eram bons não somente para manter as coisas frias, mas verificou-se que eles eram úteis na fabricação de materiais para isolamento, embalagens e muitos outros.
Tudo parecia bem durante muitos anos. Fábricas em todo o mundo produziram geladeiras, aparelhos de ar condicionado e todos os tipos de isolamento. Mas, em meados da década de 1980, os cientistas descobriram um "buraco" na camada de ozônio sobre a Antártida.
A camada de ozônio é o filtro que envolve a terra, formado por moléculas de O3 (ozônio), tem 20 quilômetros de espessura e fica localizada na estratosfera (de 15 a 35 quilômetros de distância da superfície terrestre). É um filtro natural que impede a maioria de radiação dos raios ultravioleta emitidos pelo sol que cheguem a terra.
A camada natural de ozônio é responsável por cerca de 90% de todo o gás ozônio que existe em nosso planeta. Esta camada é muito benéfica devido à ação filtrante aos raios UV, sendo chamado de ozônio "bom".
Os outros 10% são o ozônio "ruim" que vem de fontes como os gases de escape dos automóveis. Mas como este ozônio situa-se perto da superfície da terra, ele fica aprisionado em bolsões de ar nos meses de verão e causa poluição atmosférica sobre as nossas cidades.

O buraco na camada de ozônio é causado pelas emissões dos Clorofluorcarbonetos (sigla CFC’s). Embora tenham uma pequena contribuição para o efeito estufa na baixa atmosfera (Troposfera), o principal problema dessas substâncias é a interação e quebra das moléculas de ozônio na alta atmosfera (Estratosfera). A reação tem continuidade e logo o átomo de cloro libera o de oxigênio que se liga a um átomo de oxigênio a outra molécula de ozônio, e o átomo de cloro passa a destruir outra molécula de ozônio, criando uma reação em cadeia.
Este grupo de produtos químicos tem um nome longo,
sua denominação técnica é conhecida como clorofluorcarbono, cuja sigla é CFC. O advento dos CFC’s foi um marco na história da indústria. Durante os anos 1970, eles foram fabricados e utilizados à exaustão. Uma das principais qualidades desses compostos era o fato de serem supostamente “inertes”, ou seja, de não interagirem com outras substâncias. O banho de água fria veio em 1985, os CFC’s eram inertes sim, mas só na superfície; ao chegar à alta atmosfera eles tinham um devastador efeito na fina camada que nos protege dos raios solares mais nocivos. 
Os Halons ou bromofluorocarbono são outro grupo de produtos químicos igualmente importantes, usados principalmente para a proteção contra incêndios.
Raios ultravioletas filtrados pela camada de ozônio são ondas semelhantes a ondas luminosas, as quais se encontram exatamente acima do extremo violeta do espectro da luz visível. O comprimento de onda dos raios ultravioletas varia de 4,1 x 10-4 até 4,1 x 10-2 mm, sendo que suas ondas mais curtas são as mais prejudiciais.
Raios ultravioletas filtrados pela camada de ozônio são ondas semelhantes a ondas luminosas, as quais se encontram exatamente acima do extremo violeta do espectro da luz visível. O comprimento de onda dos raios ultravioletas varia de 4,1 x 10-4 até 4,1 x 10-2 mm, sendo que suas ondas mais curtas são as mais prejudiciais.
Os cientistas não podem nos dizer exatamente ainda quanto dano já foi feito, nem a rapidez com que mais danos irão ocorrer. Mas nós sabemos que estes produtos químicos prejudiciais podem permanecer lá em cima, na camada de ozônio, por até 100 anos e podem permanecer destruindo o ozônio por esse período de tempo.
A região mais afetada pela destruição da camada de ozônio é a Antártida. Nessa região, principalmente no mês de setembro, quase a metade da concentração de ozônio é misteriosamente sugada da atmosfera. Esse fenômeno deixa à mercê dos raios ultravioletas uma área de 31 milhões de quilômetros quadrados, maior que toda a América do Sul, ou 15% da superfície do planeta.
Na Antártida devido ao rigoroso inverno de seis meses, se formam as chamadas “nuvens estratosféricas polares”, a circulação de ar não ocorre e, assim, formam-se círculos de convecção exclusivos daquela área. Os poluentes atraídos durante o verão permanecem na Antártida até a época de subirem para a estratosfera. Ao chegar o verão, os primeiros raios de sol quebram as moléculas de CFC encontradas nessa área, iniciando a reação liberando o cloro que interage com o ozônio e quebra suas moléculas.
Nas demais áreas do planeta, a diminuição da camada de ozônio também é sensível; de 3 a 7% do ozônio que a compunha já foi destruído pelo homem.
Em todo o mundo as massas de ar circulam, sendo que um poluente lançado no Brasil pode atingir a Europa devido a correntes de convecção.
No Brasil, a camada de ozônio ainda não perdeu 5% do seu tamanho original, de acordo com os instrumentos medidores do INPE (Instituto de Pesquisas Espaciais). O instituto acompanha a movimentação do gás na atmosfera desde 1978 e até hoje não detectou nenhuma variação significante, provavelmente pela pouca produção de CFC no Brasil em comparação com os países de primeiro mundo. Apenas 5% dos aerosóis utilizam CFC, já que uma mistura de butano e propano é significativamente mais barata, funcionando perfeitamente em substituição ao clorofluorcarbono. No país a luta para o controle gradual das substâncias nocivas à camada de ozônio começou em dezembro de 1995 quando o CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente - emitiu a resolução de No13. Esta resolução foi tomada em conformidade com a Convenção de Viena para a Proteção da Camada de Ozônio e o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio. Levou em consideração a reunião realizada em Londres em 1990. Considerou os prazos, limites e restrições, previstos no Protocolo de Montreal, à produção, comercialização e consumo das substâncias que destroem a camada de ozônio, conhecidas como Substâncias Controladas.
A principal conseqüência da destruição da camada de ozônio será o grande aumento da incidência de câncer de pele, desde que os raios ultravioletas são mutagênicos. Além disso, existe a hipótese segundo a qual a destruição da camada de ozônio pode causar desequilíbrio no clima, resultando no “efeito estufa”, o que causaria o descongelamento das geleiras polares e conseqüente inundação de muitos territórios que atualmente se encontram em condições de habitação. Também os animais seriam afetados, bem como as culturas agrícolas e a camada superior dos nossos oceanos.
De qualquer forma, a maior preocupação dos cientistas é mesmo com o câncer de pele e doenças oculares, cuja incidência vem aumentando nos últimos vinte anos. Você pode estar se perguntando o que vai acontecer à camada de ozônio se o uso de CFC e de halons for definitivamente interrompido. Estes dizem que a camada de ozônio vai lentamente se recuperar logo que todos os países parem de produzir e utilizar substâncias químicas que a danifiquem. No entanto, dissemos antes que estes produtos químicos podem permanecer na atmosfera durante o tempo de 100 anos. Apesar de que em breve vamos parar de usá-los, os produtos químicos nocivos já existentes na atmosfera provavelmente continuarão danificar a camada de ozônio por muitos anos ainda. Os cientistas pensam que a camada de ozônio não será completamente reparada antes de meados do próximo século.
Nestor A. Cal e Rodrigo P. Corrêa


